
Às vezes o medo que me domina, aquele que sobe pelas pernas e sufoca minha garganta, mas sem intenção de matar, é o maior pesadelo. O medo que sinto é meu e ele gosta de me ver sufocando. Meu. Especialmente meu. Pois ele se acha especial. Faz eu recuar diante de qualquer situação ou então desesperar minha alma, assustando todos ao meu redor. Ele me prende com suas grossas correntes, machucando minha pele, deixando-a vermelha e suada. Perco minha fala. Me entrego. Mas uma coisa que nunca perco é minha esperança, que, apesar de não estar sempre depositada em mim mesmo, ela sempre me encontra. Ora me abraça ora sussurra algumas palavrinhas de alegria. Gosto mais quando ela me abraça. Aqueles braços fortes e belos ao redor do meu corpo dizendo que tudo vai dar certo e que nada importa, somente meu poder, pois sim, tenho poder. Refresco então meus olhos, pois as lágrimas que deles saem são gozo de minha própria esperança. Posso dizer que no momento sou abraçado todos os dias e sempre fico a espera do medo voltar, pois sei que ele irá voltar e me atormentará, mas sei também que ele irá embora e que novamente irei me confortar. E assim será, até eu ter a certeza de que nada é pra sempre, tampouco será breve demais. É assim que deve ser.
Força cresce com o tempo.
