A decisão é precisa e espontânea. É sentir aquele impulso, como se uma alavanca fosse acionada e uma corrente elétrica disparasse do seu cérebro para o resto do corpo. Um corpo frágil e teimoso. Abro a porta e me dirijo à rua. Esta tudo deserto. Um silêncio que me faz sentir um medo. Um medo sem nome, sem forma, sem sentido. Caminho em qualquer direção pois “qualquer” é assim mesmo, um impulso elétrico desviado por certos obstáculos que percorrem meu cérebro. É aquele medo. Esta escuro, esta tudo tão quieto. Algumas pessoas cruzam meu caminho e eu não sei o que fazer, se devo ou não olhá-las, encará-las, senti-las. Não as conheço, mas as quero pulsando em meu corpo. Anseio. Quero sim sentir, saber como é, como poderá, poderia, pudera ser. Deixo meu corpo esbarrar em alguém. Espero e preciso de reações. Preciso. Towards Me. Venha alguém à mim, fazer parte da minha vida, das minhas palavras, dos meus anseios. Do meu corpo. Quero ter os desgostos, e rosto cravado em minha memória. Memória inventada, almejada e alvejada por teus, ou meus, desejos. Não vejo mais ninguém, pois ninguém me vê. Continuo andando, desajeitadamente, espantado e curioso a cada esquina. É tudo tão quieto. Não sei, não consigo saber e nem entender. Como, por que? O que faço aqui? O que eu quero? O que eu preciso? Queria só precisar, sem desejar o querer, o poder. Desejo não desejar, pois sei que como conseqüência terei qualquer desejo honesto do meu ser. O resto, esta por aí, perdido em qualquer esquina, em qualquer sombra. E ao continuar andando percebo que é aí onde devo parar e voltar. Voltar para onde? Eu também não sei, mas sei que é o caminho. Um atropelo de sussurros, então.
Vc diz exatamente tudo que tá aqui dentro de mim.
=D