Escrita

Hoje quando acordei, senti que precisava contar uma história. Não sei qual, mas queria contar. Qualquer uma. Uma história sincera, real e fictícia. Verdadeira, ou cheia de absurdos. Mas ela tinha que existir. Então agora eu começo. Tento. Me disseram que era essencial tentar, começar. O tentar. Tentar me expressar. Pois eu disse que não sabia me expressar, mas que tentar eu sabia. E eu sabia que, por mais difícil que poderia ser, alguma coisa iria ser registrada nessas palavras.

O primeiro passo é acender um cigarro. Mas na verdade ligo a música. Pois é essencial que meus sentidos sejam influenciados por algum som musical. Aí sim vem o cigarro, que intensifica a recepção. A criatividade pode acontecer, mas ela é consequência da minha’alma.

Penso. Procuro uma situação. Um personagem. Um cenário. Uma lembrança, talvez. Prefiro procurar aquela lembrança fictícia, que lá no fundo, é a completa verdade de meu ser, de minha história. Uma lembrança qualquer, que sonho um dia acontecer, mas que talvez seria melhor permanecer lá.

A voz que escuto, que me acalma. As batidas da percussão de uma música que inunda meus ouvidos de uma emoção, que transborda pelos poros. Aí eu sinto que estou chegando onde queria, ou imaginava, ou quem sabe nem sonhava. A surpresa. A minha sensibilidade é minha. Só-mente-minha.

Eu descanso. Olho uma paisagem inexistente na janela e procuro por algum personagem. Procuro uma inspiração. Uma expiração. Finjo encontrar e transformo essa mentira em fantasia.  Daí eu fecho os olhos e mergulho em tudo isso. Me afogo. Engulo água, engasgo, esperando ser socorrido. É bom demais.

Estou descansado. Me sinto pronto para minha realidade. Talvez não. Talvez estou onde queria exatamente estar.

Olhar

…nesse exato momento o Lôbo da Estepe me lançou um olhar instantâneo, um olhar de crítica àquelas palavras…um olhar inesquecível e tremendo, sobre cuja significação poder-se-ia escrever um livro inteiro! … Havia nesse olhar um tanto mais de tristeza que de irona; era na verdade, um olhar profundo e desesperadamente triste, como o qual traduzia um desespêro calado, de certo modo irremediável e definitivo, que já se transformara em hábito e forma… o olhar do Lôbo da Estepe penetrava todo o nosso tempo, toda a afetação, toda a ambição, toda a vaidade, todo o jogo superficial de uma espiritualidade fabricada e frivola. Ah! lamentavelmente o olhar ia mais fundo ainda, ia além das simples imperfeições e desesperanças de nosso tempo, de nossa espiritualidade, de nossa cultura. Chegava ao coração de toda a Humanidade; expressava, num único segundo, toda a dúvida de um pensador, talvez a de um conhecedor da dignidade e sobretudo do sentido da vida humana. Esse olhar dizia: “Veja os macacos que somos! Veja o que é o homem!” E toda a celebridade, toda a inteligencia, toda a conquista do espírito, todo o afã para alcançar a sublimidade, a grandeza e o duradouro do humano se esboroava de repente e não passava de frívolos momices!

-Hermann Hesse

Libertação

“You look like a city but you feel like religion to me.”

Sim. Salvemos nossa pele, nossa lábia, nossa vontade. Salvemos aquilo que achamos que brilha, que valha o nosso caráter. Mísero caráter. Salvemos o nosso orgulho, nossos desejos, nossa carne. Nosso corpo, nossa febre. Salvemos nossa saúde, assim como nossa doença. Nosso sexo, nosso olhar, nosso teto. Salvemo-nos. Salvem-nos de toda essa inutilidade.

Medo parte 2

É um peso a carregar. É difícil de falar, é difícil de organizar. É conhecer um monte de palavras e não saber usá-las, organizá-las na mente e transmiti-las em fala. É tremer. É ter medo. É fazer, sem pretensão, parecer-te um esnobe quando na verdade é medo. É medo de parecer desprovido de muitas coisas, quando na verdade não se é. É tremer de frio, de calor, de algum olhar que te julga ou que passa despercebido. É não querer ser egoísta, quando na verdade é não saber como agir. É viver em sonho e sonhar em vida.

É viver em sonho. É como sonhar em vida. E assim, viver.

Tempo, tempo;

Orlando

“O tempo passou – e nada aconteceu”

Orlando – Virginia Woolf

Medo

By Peter Hujar

Às vezes o medo que me domina, aquele que sobe pelas pernas e sufoca minha garganta, mas sem intenção de matar, é o maior pesadelo. O medo que sinto é meu e ele gosta de me ver sufocando. Meu. Especialmente meu. Pois ele se acha especial. Faz eu recuar diante de qualquer situação ou então desesperar minha alma, assustando todos ao meu redor. Ele me prende com suas grossas correntes, machucando minha pele, deixando-a vermelha e suada. Perco minha fala. Me entrego. Mas uma coisa que nunca perco é minha esperança, que, apesar de não estar sempre depositada em mim mesmo, ela sempre me encontra. Ora me abraça ora sussurra algumas palavrinhas de alegria. Gosto mais quando ela me abraça. Aqueles braços fortes e belos ao redor do meu corpo dizendo que tudo vai dar certo e que nada importa, somente meu poder, pois sim, tenho poder. Refresco então meus olhos, pois as lágrimas que deles saem são gozo de minha própria esperança. Posso dizer que no momento sou abraçado todos os dias e sempre fico a espera do medo voltar, pois sei que ele irá voltar e me atormentará, mas sei também que ele irá embora e que novamente irei me confortar. E assim será, até eu ter a certeza de que nada é pra sempre, tampouco será breve demais. É assim que deve ser.

Força cresce com o tempo.

Corra!

Felicidade é subir nas costas do seu melhor amigo, correr à mil gritando versos esperançosos, e caindo junto com ele. Morrendo de rir.

Até as bochechas doerem.

Busca

Aqui estou eu. De alma lavada, de coração aberto e peito estufado. Os olhos brilhando mais que seu sorriso. Meus antigos desejos agora tomando forma lindamente através de seus abraços e suas doces palavras. Tudo que tenho: eu, você e o momento presente.

Nada de te esquecer.

A Pessoa Errada

Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada…
Porque a pessoa certa faz tudo certinho…
Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas…
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas…
Aí é a hora de procurar a pessoa errada…
A pessoa errada te faz perder a cabeça!
Fazer loucuras!
Perder a hora!
Morrer de amor!
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar…
Que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira…
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar…
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono…
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível!
Essa pessoa talvez te magoe…
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado…
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você!
Vai estar o tempo todo pensando em você!
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo…
Porque a vida não é certa!
Nada aqui é certo!
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo…
E só assim é possível chegar àquele momento do dia, em que a gente diz:
‘Graças à Deus deu tudo certo’!
Quando na verdade…
Tudo o que Ele quer…
É que a gente encontre a pessoa errada!
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente…
Nossa missão:
Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.
Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas…

Luiz Fernando Veríssimo

Borboletas e mariposas

And nothing metters when we’re dancing…

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Virginia Woolf

A beleza do mundo tem duas margens, uma do riso e outra da angústia, que cortam o coração em duas metades.

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